"Sh... Silêncio.

Foto Microfone
Beatriz Haddad Maia

Beatriz Haddad Maia

Número 1 do Brasil nas últimas três temporadas, com vitórias contra três campeãs de Grand Slam

O dia da minha libertação

Estou de volta. 

Hoje é o dia 22 de maio. O dia que eu mais esperei de 2020. Estou oficialmente liberada a voltar a jogar tênis, apesar da pandemia. Posso enfim jogar tênis. Hoje eu não preciso pensar em outra coisa que não seja o que mais gosto, o meu trabalho, o que não pude fazer por quase um ano. Eu senti muita falta. Não consigo imaginar que já se passaram 10 meses. Foi muito mais rápido do que eu imaginava. E só vem um filme à minha cabeça.

Fui do céu ao inferno. Vinha da minha maior vitória da carreira, contra a Muguruza em Wimbledon. Eu estava genuinamente feliz, vivendo um momento incrível da minha vida. Até que chegou um e-mail da ITF (Federação Internacional de Tênis). 

Foi como um soco no estômago. Eu lembro de cada detalhe daquele momento. Estava no Guarujá, no litoral de São Paulo, com meus primos e meus tios. Almoçávamos no restaurante e passava uma partida do Federer na televisão, ao fundo. Até que chegou uma notificação no meu telefone. 

Quando abri para ler, tive dificuldade de entender do que se tratava. Até que eu vi “provisional suspension” nas três primeiras linhas. Foi então que eu entendi. Era uma carta da ITF relacionada à Wada (Agência Mundial Antidoping). Levantei da mesa, fui para o banheiro e comecei a chorar muito. 

Na hora o meu estômago embrulhou. A minha reação imediata foi ir ao banheiro e chorar. Eu desabei em lágrimas e já não conseguia ler mais nada. Até hoje eu não terminei de ler a carta. Me arrepiei, gritei de desespero. Eu estava realmente desesperada. A gente arrumou as malas e voltou imediatamente para São Paulo.

O choque inicial foi o mais duro. Eu não conseguia aceitar que eu tinha testado positivo em um exame antidoping. Ficava pensando se não podia ser um erro, se não tinham se enganado. Não era possível. Eu não fazia ideia do que tinha acontecido. Pensava em mil coisas e, ao mesmo tempo, não sabia por onde começar, não sabia para quem ligar. Tentei dar a notícia para os meus pais e mal conseguia de tanto soluçar de choro. Eu estava totalmente perdida.

É difícil descrever o meu sentimento quando me tiraram o tênis. É o meu trabalho, é a paixão da minha vida, faz parte da história da minha família. Me doía muito porque no primeiro momento eu me sentia injustiçada. 

Lembro que nos primeiros dias eu continuava pensando que o US Open estava chegando. Eu estava na lista para jogar e minha cabeça já pensava no próximo Grand Slam. Mas, na verdade, eu tinha que estar no escritório. A minha realidade tinha mudado, a prioridade não era mais o tênis. Em vez de ir para a quadra, eu tinha que ir para o advogado. O controle do meu futuro estava nas mãos deles.

Tudo era muito incerto. Não havia luz no fim do túnel. Nos primeiros meses, eu tinha pesadelos e não conseguia dormir direito. Eu via meu pai e minha mãe chorando. Dar essa notícia para os meus avós foi o que mais me doeu. Mas minha família foi muito positiva. Quando eles me abraçaram, eu percebi que podia acontecer o que fosse que eu conseguiria lidar.

Eu tinha muito receio do que as pessoas iriam pensar de mim. Sempre me preocupei com as pessoas e com a minha responsabilidade de ser um exemplo, de ser uma inspiração. Talvez as crianças nem tivessem noção, mas eu tinha um medo delas acharem que eu me dopava. 

Antes da notícia, as pessoas vinham falar comigo e pediam para tirar foto. Dias depois, a visão era totalmente outra. Começou aquela sensação de dúvida. As pessoas hesitavam, me olhavam com rabo de olho e ficavam com um pé atrás. Eu sentia que elas se perguntavam para si mesmas “será que realmente acreditamos que ela joga limpo?”. Alguns vinham falar comigo querendo saber, mas ao mesmo tempo ficavam sem jeito de falar comigo.

 Tudo mudou muito rápido. Eu fui cancelada na internet por gente que nunca tinha ouvido falar de mim. Meu Instagram foi bombardeado de emojis de cavalo e injeção, enviados por pessoas que tinham acreditado que eu tinha trapaceado. Gente que falava que eu só ganhei da Muguruza porque havia me dopado. 

Fiquei pensando “será que essa imagem que eu estou passando, que realmente as pessoas vão pensar isso de mim?”. Principalmente no começo. Mexeu comigo ver mensagens pesadas de seguidores que realmente me acompanhavam e torciam por mim. Era como se eu tivesse traído a confiança deles. Fãs que eu realmente acreditei que me apoiavam, que me mandavam palavras de força há anos. Por mais que eu não as conhecesse pessoalmente, elas torciam por mim e criamos um vínculo. A minha resposta foi me blindar.

A dor de cabeça era tanta que parecia que ia explodir a qualquer momento. Era muita informação de todos os lados. E eu precisava me manter saudável de cabeça. Tentei não abrir sites, notícias, mas sei que teve muita gente que falou horrores. Por mais que eu não estivesse perto do telefone, eu realmente recebia e sentia essa energia pesada. Foi tudo muito louco.

Não foi fácil ficar em silêncio. Queria falar, mas me mantive calada pela estratégia acordada com os advogados para manter o foco na defesa e, assim, não abrir detalhes do processo. Como eu tinha vontade… quantas vezes não escrevi no bloco de notas uma mensagem que eu gostaria de publicar. Quantas vezes eu não fiz um vídeo me abrindo comigo mesma. Por meses, conversei comigo mesma para ficar com a cabeça limpa. Eu sabia que não tinha feito nada e tinha convicção de que poderia dormir à noite… “pô, Bia, você não tem culpa! Você tentou fazer da sua melhor forma. Ocorreu um erro, sabe?”’

Sou uma pessoa pública e influencio pessoas, famílias, crianças. Tenho patrocinadores que confiam em mim. Você ligar para um patrocinador que confia em você, no seu trabalho, que está com a logo no seu peito e falar que o nome dele está relacionado a doping é pesado para um atleta. Não deixa de ser uma punição muito forte. Liguei para cada patrocinador neste momento que exigia meu total profissionalismo e conversei com eles sobre a situação.

A regra é clara. O atleta é responsável pelo o que ele ingere. Então, é independente. Se você faz o teste e apareceu uma quantidade muito pequena ou muito grande, o atleta paga igual. A regra da WADA é bem clara junto com a ITF e é assim que funciona no circuito.

Me preocupava serem duas substâncias, principalmente um anabolizante que eu não tinha ideia de como foi parar no meu corpo. Uma substância que para eu ter benefícios eu precisava fazer um ciclo. E eu já tinha feito exames antidoping antes e depois. Ambos não tinham dado nada. Ou seja, tinha sido algo pontual. Uma contaminação.

Descobrimos a fonte da substância e tudo ficou muito claro. Foi um erro humano mesmo, um erro da farmácia. E isso foi o que mostrou realmente a verdade e corroborou a minha defesa.

A suspensão poderia durar até quatro anos, mas confesso que em momento algum acreditei que ficaria tanto tempo. Tentava me manter otimista que conseguiria comprovar a minha inocência. Eu não merecia aquilo. Talvez eu precisasse realmente aprender com aquele momento. A minha pena foi de 10 meses, o menor tempo possível para o meu caso.

Por outro lado, a suspensão foi um momento em que eu aprendi muito. Fui ensinada pela dor nas lesões e todas as cirurgias que tive, mas o doping foi o pior momento disparado. O apoio dos meus pais, da minha irmã, dos meus avós foi fundamental. Eu tenho uma família muito forte comigo e a gente foi tentando solucionar e aproveitar momentos que eu abri mão desde quando eu me conheço por gente e viajo pra jogar tênis. 

Quantos aniversários eu não fui? Natal, Ano Novo, Páscoa, momentos com a minha mãe ou meu próprio aniversário. Tudo isso começou a me fazer pensar com outros olhos. Tentei ver de outra forma e comecei a ser um pouco mais grata. Refleti enquanto estive longe do esporte sobre o que o tênis representava para mim.  Eu estava colocando tudo no tênis. E me fez pensar… O que é o tênis é pra mim, sabe? Eu não podia dormir depois das 22h30 porque era super certinha e tinha que acordar bem para jogar, fazia fisio, comia… Tudo era pro tênis. 

Não vou dizer que a suspensão foi uma maravilha, que eu só fiz coisas produtivas, que foi tudo ótimo. Foi um momento muito difícil. Chorei demais, principalmente nos banhos. Às vezes eu saía do banheiro e tinha vergonha de verem a minha cara inchada. Mas eu aceitava chorar porque eu simplesmente não estava feliz. Não precisava fingir que estava tudo bem, ficar sorrindo e parecer contente nas redes sociais. Nunca foi meu objetivo.

Um lugar em que eu sentia tudo com mais intensidade era na academia do prédio da minha tia, onde às vezes eu precisava de uma força interna maior. Quando você está na esteira na velocidade 18, você visualiza o seu objetivo maior. Eu imaginava estar no tie-break do terceiro set com a Serena do outro lado. Mas naquele momento eu não tinha aquela chama porque eu não ia ter um jogo. Eu não tinha um objetivo. Desligava a esteira e desabava em lágrimas, involuntariamente. Era o que eu sentia naquele momento. Eu não precisava evitar sentir ou guardar tudo aquilo dentro de mim só para demonstrar que sou forte.

Esperar pelo julgamento foi desesperador. Era tudo via e-mail e muito demorado no começo. A regra era muito clara, mas você tem de ler tudo com calma. A  ITF demorava muitos dias para responder as minhas mensagens. Cheguei a ficar três meses sem nenhuma notícia. Eu lembro que acordava e falava: “Hoje eu vou receber algum e-mail”. E nada. 

Pensei em fazer uma viagem, sumir, tentar ir atrás de alguma aventura, algum curso diferente… mas aí caía a ficha. Eu não tinha tempo certo. A incerteza não permitia fazer planos. E isso me corroía por dentro. Passaram-se quatro, seis, sete meses e eu não sabia a data do fim da suspensão. O julgamento em si é ao mesmo tempo um acordo pelo afastamento de 10 meses, então realmente é demorado. Não precisar recorrer ao Tribunal Independente em Londres também foi um alívio financeiro, já que teria sido mais um gasto.

Cogitei trabalha, porque a parte financeira ficou muito complicada. Perdi praticamente todos os patrocinadores, não teria prize money e sigo nesta situação. Cheguei a aprender sobre planilhas de planejamento financeiro e ir a um escritório, mas era além do meu limite naquele momento. Seria para tentar tapar um buraco, fazer algo novo, mas eu não estava bem. Era mais um desespero de tentar não ficar em casa sem fazer nada. 

No momento da suspensão não fazia sentido algum para as marcas estarem do meu lado. Qual retorno eles teriam? Eu entendi isso. E acredito que muitas outras pessoas e empresas estarão comigo daqui para frente. Apesar do meu nome estar vinculado com o doping, consegui provar que eu não tive a intenção de ingerir aquelas substâncias. Sempre fui muito séria, mostrei muita garra e tentei me superar a cada dia. O desafio agora é voltar a jogar Futures com uma equipe de trabalho, técnico e fisioterapeuta. Mas eu sei que as coisas vão se ajeitar. É um momento ruim para que coisas boas apareçam de novo. A vida é uma montanha-russa que não está a nosso controle.

A minha história é repleta de quedas, literalmente. Passei por três cirurgias por lesões, sendo duas em hérnias nas costas, e uma no ombro. Mas o maior susto, disparado, foi em 2017. Dois dias antes de embarcar para o Australian Open, eu caí da cama, antes da virada de ano. Eu tinha colocado um colchão em cima da cama porque achei a cama dura. Conclusão: eu caí feio. Talvez soe estranho, mas eu comparo muito essa situação com o doping. Foi realmente um susto porque eu não vinha sentindo uma dor, não era uma lesão que se agravou. Naquele momento,  não tinha controle sobre a situação. Não foi em um exercício, não foi na quadra.

Nunca me achei azarada. Pelo contrário. A minha positividade vem de berço. Não sou de ficar lamentando. Em nenhum desses momentos desafiadores eu me considerei amaldiçoada.  Acredito que sou privilegiada por estar jogando os melhores torneios do mundo. Eu vivo o sonho de muitas meninas que jogam. Depois do momento inicial, não me senti mais injustiçada. Existem coisas muito piores na vida. 

A minha forma de pensar e lidar com as coisas que me fizeram conseguir sempre voltar depois de ter um momento difícil. Não que seja fácil. O ambiente do circuito não é favorável. O ambiente de Future, Challenger, as pessoas são muito invejosas, te puxam muito para baixo. É justamente essa força que eu tenho dentro de mim que me ajuda nos piores momentos. É acreditar que o tempo vai trazer coisas boas.

Óbvio que eu não queria ficar lesionada tantas vezes ou passar por essa situação. Mas se você abrir os olhos, muitas pessoas passam momentos muito mais difíceis do que esse. É assim que eu encaro a vida. Se eu tivesse que parar, é porque era realmente para parar naquele momento. Tentava pensar que aquilo ia me levar para uma causa maior. Talvez o corpo estivesse pedindo um tempo fosse emocionalmente, espiritualmente ou mentalmente. Às vezes você precisa dar um passo para trás para conseguir dar dois para frente. Foi assim que consegui voltar tantas vezes.

Não se engane. Eu sou frágil igual a qualquer pessoa. Não sou de ferro – e as lesões são prova disso! -, mas eu sempre tentei ser feliz porque eu acredito que sendo feliz as coisas vão acontecer. Se eu baixar, posso me afundar mais. O meu jeito de lidar com isso foi sempre foi fazer algo. Quando você tem muito tempo ocioso, você acaba pensando demais em cada detalhe e vem a ansiedade.

Todo mundo acha que, pô, “ah, não, ela tendo resultado é fácil ela ser feliz”, postar no Instagram, viajar com o treinador, ter patrocinador… Cara, não, é ao contrário. O que eu fiz pra ter tudo isso hoje? Quantas vezes eu abri mão pensando na minha carreira?

Em momento algum dos 10 meses da suspensão eu cheguei a deprimir, mas passei por alguns muito duros. Momentos de choro, de conversas profundas, de me abrir. Quando eu sentava para conversar com a Carla, minha psicóloga, eu não queria ser a campeã do mundo no tênis. Eu era apenas uma menina chorando, abrindo a vida, como qualquer outra paciente dela que passa por dificuldades no trabalho, no relacionamento, em casa. 

O que a gente menos falou foi sobre tênis. Eu não conseguia assistir tênis porque aquilo me doía. Sempre me foi muito claro que quando estou feliz, vendo as pessoas ao meu redor felizes, as coisas fluem na quadra para mim. 

É mais fácil falar do que a prática. Porque é duro você ser um atleta no Brasil. As pessoas te colocam no céu e te jogam no chão em um piscar de olhos. A cultura esportiva brasileira é assim. A gente tem como referência o Guga e o Ayrton Senna. Então se não for um dos dois, você simplesmente não é bom.

Parte do público coloca o atleta em uma  pressão ou em um ideal que eles criam de que a gente tem que ganhar a todo momento. Lá fora as pessoas veem as derrotas como algo mais normal. Faz parte da vida de um atleta. No Brasil se você ganha um torneio, no outro dia você é obrigado a ganhar todos os outros. E se você não ganha, você decepciona o seu país.

Fico chateada quando leio comentários das pessoas metendo pau no Bellucci, no Thiago, em mim por derrotas ou no meu caso mais recente, o doping. Ninguém sabe o que eu passei. Você não pode esperar que eu seja um robô, com 100% de energia fora da quadra… que eu esteja sempre feliz. E não é assim.

Quantas vezes eu já não escutei “nossa, você joga muito, mas sua cabeça é muito fraca”. Ou “pô, a Bia estava ali e não deu. Sempre quando eu vejo, ela está ali e não ganha”. Peraí. Não falta “só” o mental. O tênis é mental. Não é o “só isso”. O tênis é exatamente “isso”. E os meus jogos que passam na TV são contra a número 1 do mundo, número 2, número 3 ou número 4 e olhe lá! Isso quando passa na TV. O que eu fiz para chegar lá e os jogos que eu ganhei para chegar naquele duelo também são vitórias na carreira de um atleta.

O amador que jogou poucas vezes vai passar na quadra pela mesma coisa que eu passo. Mas as pessoas criticam sem saber das suas cicatrizes, das suas dores, da sua história. Quantas segundas-feiras você não acordou indisposto? Ou aquele dia que você teve um problema em casa, de saúde ou na sua vida pessoal e você simplesmente não consegue trabalhar? Isso também acontece comigo.

Lembra do meu jogo com a Simona Halep em Wimbledon, em 2017? Foi logo após a minha primeira vitória de Grand Slam, sobre a Laura Robson. Era o maior jogo da minha carreira em todos os aspectos. Enfrentaria a número 2 do ranking na Quadra 1 no principal torneio de tênis do mundo. Pela primeira vez na minha vida. Saquei em 5/3 no 1º set, mas a Halep reagiu e venceu por 7/5 e 6/3. Logo apareceram os mesmos comentários de sempre.

O que ninguém sabe é o que eu tinha passado na semana anterior a Wimbledon. Fiquei uma semana sem encostar na raquete. Eu fiquei na cama por sete dias chorando de dor. Muita coisa tinha acontecido naquelas semanas. Não foi só o jogo da Halep. É muito fácil julgar por aquelas duas horas de jogo, seja por “errar aquele forehand” ou “sentir a pressão”.

Daqui para frente eu quero dar muito valor para cada bolinha que eu bater. Cada momento, cada dia que eu passei sem jogar tênis vai me dar mais prazer para quando eu pisar em quadra. Fome de bola não vai faltar. Já sonhei várias vezes com a minha volta, inclusive jogando aqui no Brasil. É o que eu mais penso no momento. A cada dia que acordo, eu penso no primeiro jogo.

Nos meus sonhos, lembro que jogava no saibro neste meu retorno. Um dos jogos foi até no Pinheiros, aqui em São Paulo. Me vêm à mente a entrada na quadra e o fim do jogo. O jogo acabou, eu botei a mão na cabeça, olhei para o meu técnico German e pensei “caraca, voltei a fazer o que eu gosto de fazer”. 

Tudo isso me fez seguir e almejar o meu maior sonho que é conquistar um Grand Slam. Eu já sonhei com o troféu de Wimbledon algumas noites, é um sonho que eu sempre tive. Foi coincidentemente o último torneio de que eu participei. Nada tira o potencial que eu tenho, a confiança que eu levo comigo e no meu jogo. Já enfrentei grandes jogadoras. Venci campeãs de Grand Slams, top 10 e ex-líderes do ranking. Com certeza esse sonho me preenche e me faz acordar todos os dias, ser uma pessoa melhor e segurar esse tranco durante todo esse tempo para chegar um dia àquele lugar.

Às vezes na vida a gente fica se perguntando o porquê. Às vezes não entendemos as pedras que aparecem pelo caminho. E aí ficamos tentando buscar respostas, procuramos elas nas pessoas e até culpamos algo ou alguém. É um momento sombrio, difícil de enxergar. Mas o tempo deixa tudo mais claro. E essa dificuldade passa a ser uma página do livro da nossa vida. Você começa a entender que passou por aquilo por um determinado motivo. São momentos que você precisava parar e pensar. Mais do que tenistas, atletas, somos todos seres humanos. Todos choramos, sofremos, passamos e precisamos superar momentos difíceis.

Pode soar estranho um atleta comemorar o dia final de uma suspensão, mas é libertador compartilhar com você esse capítulo da minha história. Hoje eu só tenho a agradecer.  Posso te garantir que daqui para frente sou mais forte, mais grata e mais feliz. E prometo que vou socar a bola com toda essa força que eu redescobri dentro de mim.

Um beijo de luz,

Bia.

Créditos das imagens: Arquivo pessoal, AELTC, AGIF, Fed Cup, FFT e Marcello Zambrana

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